Começou num pub a história. Estou eu confraternizando com a gringada toda quando ouço lá da entrada do bar: PURTUGAL! PURTUGAL! PURTUGAL! Eram cinco caras, vestidos de Portugal dos pés a cabeça abraçados e dando pulinhos de alegria. O Nico, francês boleiro que mora no apê de cima, deu a letra: "Oh iés, tumórou Finland faces Portugal for the UEFA-98 Qualifiers".
Eu, com o faro já mais que apurado pra diversão gratuita, tirei meu "jumper" e monstrando pra todo mundo minha inusitada camiseta do Brasil/Guaraná Antarctica, fui falar com os Portugas. "Ópá, daqui, ópá de lá", 10 minutos depois veio o convite: "Escute aqui, ó gájo, tu és brasileiro e nos dará sorte amanhã. Apareça na frente do estádio às 7 que lhe arranjo uma entrada." Quem falou foi o cheerleader chefe, Quim, mais 50 de idade, uniforme com assinatura de todo mundo, do Eusébio até o Maniche.
Noutro dia chego eu, de novo vestido de brasileiro (única exigência dos portugas) esperando pra ver se vai ou não vai. Se era papo de bêbado ou não. Quando encontro o grupo, Quim está ao telefone. Termina a ligação e emenda: "Bóra, ópá, tua entrada está na porta". Resumindo a história, Quim e seus comparas eram mais que torcedores oficiais, eram chapas da Federação Portuguesa de Futebol, ou seja, mamata. Só um outro portuga que eu conheci no portão tinha mais de 5 ingressos na mão.
Pulemos o tradicional momento "brasileiro num estádio de futebol na Finlândia", resultando em um terço do estádio vindo falar comigo, perguntando oque eu achava que ia dar no jogo, "toma meu cartão, eu nunca conheci um brasileiro na minha vida", "pra quem vc está torcendo?", "Ronaldinho" e coisas do gênero. Vamos ao que interessa, ou seja, como diabos é um jogo de futebol na Finlândia.
Vamos então no bate-bola, o que é parecido:
- banheiro menos fedido e com fila organizada.
- Vendedores atrapalhando a visão igual, mas são angelicais loirinhas de trancinhas.
- Escalação da equipe da casa interativa. Repare no final do vídeo, o duende de vermelhor e verde é o Quim, chefe de torcida organizada que me enfiou no estádio. Confira comigo no replay.
- OLA nada igual, demorou mais que carro à álcool no inverno pra pegar, mas saiu. No pique.
- torcedores xingando, idêntico, mas em finlândes.
Agora, as diferenças:
- Antes do jogo, a massa é insulflada com Judas Priste e AC\DC no talo. Ponto pra Finlândia.
- No intervalo, show de bike com backflip e double tailwhip ao som de Foo Figthers. 2 a0.
- Tiazinhas simpáticas te levam até o seu lugar quando você chega, só falta espanar o assento.
- Telão mega master resolução fudida mostrando os melhores lances 3 segundos depois do lance. No Brasil, se você for abrir o amendoim, perdeu o lance.
Do jogo, foi 1 a 1, o Deco apavora, a Finlândia se tranca com duas linhas de quatro e, falando de futebol, eu ainda prefiro o cheiro de mijo do Pacaembú.
Corinthiano, maloqueiro e sofredor. Graças a Deus.