Cheguei de um pub outro dia e não tava muito a fim de dormir.
Desci para a recepcão do albergue e, na única TV existente, ligada na MTV 24 horas por dia (nem sei mais quantos clipes do puff daddy eu já vi naquela merda), passava Beavis and Butt-Head. Com legendas em finlandês.
Fazia mais de ano que eu não via Beavis & Butt-Head na TV, sei lá se eles ainda passam na MTV BRASIL, então fiquei lá, matando a saudade de tanta idiotice, quando, do nada, me veio a constatacão de que provavelmente eu era o único cara, dentre um grande círculo social, que teria a oportunidade, o privilégio, a chance única, de assistir Beavis & Butt-Head traduzido pro finlândes.
Por isso, acreditando que - como Pedro Alvares Cabral, Yuri Gagarin, Marco Polo e outros desbravadores - era minha obrigacão tirar desta experiência um legado eterno, uma heranca perpétua, peguei papel e caneta e comecei a anotar oque consegui.
Então, agora, em primeira mão, o primeiro dicionário Beavis & Butt-Head para o Finlândes:
Joo! - Yeah!
Jäbä - dude
Cool - Cool
Kato - Check it out
Enniä tiedäa - I dont know
Elkiä - No way
Mikäa dorka! - what a dork!
Nyverö - whoos
Certo de ter deixado minha contribuicão, meu pequeno tijolo na grande construção cultural de nossa nação, despeço-me.
25 de ago. de 2006
Beavis, Butt-head e o pioneirismo
24 de ago. de 2006
Yo soy un disco quebrado, yo tengo chicle en cerebro!
Primeiro post da sessão "sintam inveja, sul-americanos":
Show do Beck em Amsterdam. Sold-out desde 10 de agosto (tava no Brasil ainda) mas tinha que tentar né? E lá fui eu perguntando pra todos os transeuntes que passavam em frente ao Paradiso Club:
- Hey, man. Do you have an extra ticket to sell?
Foi a primeira frase que falei mais de 30 vezes em inglês. Um marco. Na 31a, sorte. O cara tomou o cano do amigo e quem levou a melhor fui eu aqui. 36 euros, same price.
O resultados, você vê aqui embaixo...
Abertura do show (o show inteiro foi acompanhado por puppeteers. Cada cara da banda tinha uma vestido igualzinho. Os caras eram fodas, imitavam perfeito cada integrante. Reparem na boca do beck de pano. Demais):
Final do show (cuidado com a minha cara de Jack Torrance! A febre holandesa estava no auge esse dia):
Puta show, fudido mesmo. 600 pessoas no lugar, no máximo.
Quem quiser xingar, fazer vodu ou mesmo agradecer os vídeos, à la vonté.
Primeiras impressões de Amsterdam
A primeira coisa que voce descobre em Amsterdam é que a cidade é feita à prova de loucos, chapados, desavisados em geral e etc. A arquitetura e o urbanismo deste grande pólo europeu facilita, e muito o transito de pessoas com o senso de direcao abalado. Tudo foi construido em curvas, e apesar de todos os predios serem iguais, voce pode, em caso de ter se perdido, simplesmente continuar andando, que ira passar pelo mesmo lugar de novo, dando a si mesmo mais uma chance de entrar na casa ou virar na rua certa. Na dúvida, em Amsterdam, faca como o Johnnie Walker.
A segunda palavra que vem à cabeca em Amsterdam é contraste. Voce olha pra esquerda e ve um monte de moleques de 20 anos, chapadissimos, recém-saídos do primeiro cof-shop que encontraram, comendo Pringles ate babar e olhando pras vitrines do Red Light District, enquanto a mulherada esfrega sua mercadoria nos vidros, tentando, a cada angulo de pernas, a melhor abordagem para atingir o consumidor. Ai voce olha pra direita e ve o Rijksmuseum, um castelo de mais de 300 anos que abriga, em meio aos seus corredores infinitos e jardins quase mentirosos de tao bem cuidados, centenas de quadros de Rembrandt, Cezanne e Renoir. E ai vc escolhe o que quer fazer.
Voce pode pensar Amsterdam como um resort bem democrático. Ele funciona para a molecada que quer fumar tudo que vê (opa, olha os acentos chegando) pela frente, se acabar nos clubs até altas e depois enfiar todas as moedas que encontrar nas paredes magicas do FEBO`S (N. do R.: veja legenda no final do post). Funciona para o casal na em Lua de Mel que quer alugar bicicletas (aguarde, o momento "bicicletas em Amsterdam" chegará em momento oportuno), tirar fotos um do outro nos canais, passear nos parques e tomar vinho. Funciona também para grupos de velinhos devoradores de museus que não fazem nada sem documentar em suas máquinas digitais. E é a interseccão disso tudo que faz de Amsterdam um lugar bem incomum.
Febo's: é o mais famoso, barato e junkie fast food de Amsterdam, funciona como uma cozinha em que o cara vai preparando toda a sorte de gordureiras e vai colocando tudo em portinhas tipo aquelas de cartas em prédios antigos. Aí vc escolhe o que quer e paga colocando moedas numa máquina.
21 de ago. de 2006
STATUS
Pra quem nao sabe, fui. Pra quem nao sabe, cheguei. Pra quem nao sabe, estou. Pra quem nao sabe é na Finalandia, ja.
Amsterdam passou rapido, ainda mais com 2 dias na cama e com febre. Helsinki chegou há 3 dias ja. Em mais 10 dias, vou ter meu ape e as aulas comecam (os acentos, tios, cedilhas ainda nao vieram, mas ja pedi pra mandarem por Sedex).
Estou morando num albergue com mais 60 caras em 3 quartos e uma privada (sim, escrevi uma privada). Tem uma sauninha basica, que ontem eu consegui ficar 8 minutos (descobri que os finalandeses fazem churrasco e tomam breja dntro da sauna, quem sabe um dia).
No final do mes, terei meu proprio ape, onde poderei finalmente estocar minha bananas com o minino de dignidade (uma privada no banheiro, uma minigeladeira na cozinha. Nao podemos acusar os Finlandeses de nao ter criterio).
As coisas andam foda por aqui, saudades daquele baticundum, daquela malemolencia, daquele feijao com arroz. Mas como todos dizem, vai melhorando com o tempo. Acho que quando tiver minha casinha e as aulas comecarem, vai ficar tudo mais sossegado.
Bom, esse e o status inicial. Vivo, sem amigos, com todas as funcoes vitais operantes, nao tive que vender meu corpo ainda, nao perdi nada, nao fui assaltado e quase tenho um lugar decente pra morar.
Assim que o saco for deixando, vou mandando as impressoes sobre Amsterdam e todo o resto.
OK. TKS. OPERANTE. Cambio final.